A pesquisa sobre a história de Jacinta vem sendo amparada por diversas fontes históricas, de variadas instituições. Em especial, são utilizados jornais da grande imprensa, jornais da imprensa negra paulista, revistas médicas, e produções literárias, além de documentos de acervos pessoais e institucionais.
A periodicidade data da última década do século XIX, quando Amâncio de Carvalho já estava fazendo testes com corpos humanos até alguns anos depois do sepultamento de Jacinta. Para o documentário, essas fontes serviram tanto para ilustrar o que estava sendo contado, quanto para embasar as reconstruções de cenas.
No sentido da pesquisa histórica, além das fontes primárias, há o cotejo com fontes secundárias, como livros e artigos, parte deles listados ao fim dessa página. Ao longo do processo, iremos incluir outras fontes por aqui, criando um acervo digital da pesquisa sobre a Jacinta.
A ideia é que o público em geral, e pesquisadores de diversas áreas possam ter fácil acesso ao material para realizarem suas próprias pesquisas, mas também para que futuramente essa coleção se torne um arquivo digital.
Abaixo seguem imagens de jornais, sendo a maioria delas arrecadadas e periódicos disponíveis no site da Hemeroteca Digital Brasileira. Há também um artigo de autoria de Amâncio, que pode ser localizado no site da Revista da USP. Outros documentos, de outros arquivos e museus, têm sua indicação específica na legenda, que pode ser utilizada como parâmetro para citação.



Lívia Maria Tiéde (UNESP) graduou-se em História pela Universidade Estadual de Campinas em 2003, obteve o título de mestre em História Social pelo Centro de Pesquisa em História Social da Cultura (CECULT) também mesma instituição em 2006, concluiu o Ph.D. pela Rice University em 2022, e é doutora em história social pela Universidade Estadual de Campinas (2023).
Ela é associada da Associação Nacional de História do Trabalho (ANAHT) e faz parte do GT Mundos do Trabalho da Associação Nacional de História (ANPUH), e atua também no GT Afro-Américas, além de fazer parte do núcleo AFRO do CEBRAP. Atualmente, a pesquisadora faz estágio doutoral na UNESP, campus Assis, e conta com uma bolsa da FAPESP.
A pesquisa é intitulada “Vida após a morte: Jacinta Maria de Santana e a ‘múmia’ da Faculdade de Direito em São Paulo (1900-2023)”. Em 2025, finalizou um longa-metragem sobre a história de Jacinta Maria de Santana. O projeto teve apoio da Lei Paulo Gustavo (LC 195/2022) pela cidade de SorocabaSP. Suas pesquisas, em geral, concentram-se em temas de história social no Brasil e nos Estados Unidos, sob uma abordagem que privilegia as leituras dentro da chave conceitual das afroaméricas.
Ela emprega métodos de micro-história, destacando narrativas biográficas de indivíduos negros, mobilizações, movimentos e associativismo negro, além de explorar temas como raça, racialização e racismo, especialmente na história da medicina e das exposições médicas. Além disso, busca articular imagens, gênero e a história das mulheres sob a leitura de feminismos negros e da interseccionalidade propostas por pensadoras afro-latino-americanas.
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